Havia um encantador de palavras, sentires vários.
Fazia das letras magia e com magia escrevia as palavras que sentia ou até não.
Um dia algo aconteceu. O céu enegreceu, tudo ficou na penumbra, os dias como noites e as noites mais escuras ainda. Tudo ficou como se sem luz. O contador de palavras tinha algo a dizer, claro, mas emudeceu. Deixou todos triste, tudo se tornou mais escuro, o preto mais breu ainda e todos se calaram…
Alguém tentou animar o mágico das palavras, mas ele tinha-se transformado numa estátua de mármore, bela, mas fria.
Ali estava ele, o contador de histórias, sentires, coisas fantásticas… em pedra, belamente empedernido.
O choro das gentes fazia-se ouvir já longe. Era um gemido profundo, era uma saudade curtamente longa. Não o tinham conhecido assim há tanto tempo.
As árvores despiram-se nesse Outono tardio, com a rapidez de quem se quer ver livre de uma coisa belamente inevitável, a neve não desceu às ruas porque nunca era seu hábito, o negro dos dias… manteve-se.
Manteve-se a penumbra dos dias, a falta de sol pela manhã… o arco-íris foi tão intenso, mas sem as suas palavras, parecia que este era ausente de cor.
E assim foi, assim se manteve até que a morte chegou aqueles que tanto o queriam mas não o tinham sabido cativar… tudo tinha durado anos e anos.
Tudo tinha morrido no dia em que tinham lido a última palavra… ele tinha-se dedicado a outras gentes a outras andanças… não era cativo de nada nem de ninguém… era livre de poder sentir as suas palavras, ou até não.
"Textos à toa" Novembro 2005
bom resto de Domingo e excelente semana!
Muitas jokitas para ti : - ))
“A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...”
Mario Quintana